Há 85 anos movimentando a história do transporte de passageiros

Uma história marcante

Um futuro inovador

Você sabia?

1924
Os primeiros ônibus surgiram na década de 1920

Surgem os primeiros ônibus no Estado de São Paulo. Veículos improvisados, conhecidos como “jardineiras”, marcam o início do transporte coletivo rodoviário.

1934

Ocorre o primeiro ato institucional do transporte urbano no Brasil, além da primeira tentativa de linha regular entre São Paulo e Santos.

1935
Ônibus Mercedes-Benz LO 3500 de 1935

É registrado o primeiro ato institucional do transporte rodoviário. O setor começa a estruturar regras, itinerários e operação regular.

Década de 1940

Durante a Segunda Guerra Mundial, o setor enfrenta forte escassez de recursos. As empresas recorrem a alternativas como gasogênio e álcool, mantendo o transporte em operação.

15 de maio de 1941
Carta sindical de 15 de maio de 1941

O Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de São Paulo é oficialmente reconhecido pelo Ministério do Trabalho. Nasce formalmente o SETPESP, a partir da fusão de três entidades patronais.

Início dos anos 1960
Av. São João, no centro de São Paulo, em 1960

O SETPESP inaugura sua primeira sede própria, na Avenida São João, no Edifício Metro II. O prédio abrigou a entidade por 28 anos.

1977
O ônibus da Scania transportou o Papa João Paulo II em sua visita ao Brasil

É assinada a Declaração de Brasília, com a participação de 26 entidades do setor. O documento fortalece a articulação nacional dos transportadores junto ao governo federal.

1980
16/12/1980 - Inauguração do SETPESP na atual sede

O SETPESP se instala na Avenida Paulista, dentro do Conjunto Nacional. A nova sede, que é casa do sindicato até os dias de hoje, marca um ciclo de modernização institucional e administrativa.

1996
Folder do primeiro Congresso do SETPESP

O SETPESP realizava seu 1º Congresso Responsabilidade Civil e Direito aplicado ao transporte terrestre de passageiros.

Anos 2000
Ônibus dos anos 2000

Aos poucos, o setor foi incorporando novas tecnologias, ampliando padrões de segurança e conforto e consolidando a profissionalização do transporte rodoviário de passageiros.

2024

Realização do 1º Seminário Técnico-Jurídico do SETPESP, consolidando o evento como um espaço estratégico de sucesso para debates importantes no setor.

2025

O Sindicato promove seu 1º Colabora RH, voltado à gestão de pessoas, relações de trabalho e fortalecimento institucional.

2026

O SETPESP reforça mais, a cada dia, sua atuação em prol da descarbonização do
transporte rodoviário de passageiros, com foco em sustentabilidade, inovação, novas
tecnologias e transição energética.

Nos dias de hoje...
Modelo rodoviário

Com mais de oito décadas de história, o SETPESP atua como entidade de referência no Estado de São Paulo. Defende o equilíbrio do sistema, a inovação tecnológica e o diálogo com a sociedade e o poder público.

SETPESP

85 anos impulsionando o transporte rodoviário em São Paulo

Ao longo de 85 anos, o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de São Paulo (SETPESP) construiu uma trajetória diretamente ligada ao desenvolvimento do transporte rodoviário no estado. Fundado em 1941, em um contexto em que o setor ainda era incipiente, o sindicato acompanhou e impulsionou a transformação de uma atividade marcada por estruturas simples em um sistema essencial para a mobilidade da população.

Com a expansão das rodovias e o crescimento das cidades, o transporte rodoviário de passageiros ganhou escala, eficiência e capilaridade. O que antes se limitava a operações básicas evoluiu para um modelo estruturado, que hoje conecta centenas de municípios e atende milhões de pessoas, contribuindo de forma decisiva para a integração regional e o desenvolvimento econômico.

Nesse processo, o SETPESP consolidou-se como um agente ativo na organização e no fortalecimento do setor. Ao longo das décadas, a entidade participou de debates relevantes, acompanhou mudanças regulatórias e estimulou o diálogo entre empresas e poder público, contribuindo para a construção de um ambiente mais estável e preparado para os desafios da mobilidade.

A história do sindicato é marcada pela capacidade de adaptação diante de diferentes cenários – de crises econômicas a transformações no comportamento dos passageiros – intensificadas nos últimos anos pela digitalização dos serviços. Em cada etapa, o setor respondeu com investimento, modernização e busca por maior eficiência operacional.

Celebrar esse marco é reconhecer a força de um trabalho coletivo que segue impulsionando o transporte rodoviário de passageiros em São Paulo, com foco na qualidade do serviço, na inovação e na conexão entre pessoas, cidades e oportunidades.

85 anos do SETPESP:

Gentil Zanovello Affonso analisa trajetória e próximos desafios do setor

*Entrevista para a edição 55 (ano 2026) da revista Sou + Ônibus

Ao completar 85 anos, o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de São Paulo (SETPESP) reúne uma trajetória diretamente ligada à evolução do transporte rodoviário no estado e no país, marcada por transformações estruturais, avanços tecnológicos e mudanças no comportamento dos passageiros.

Na entrevista a seguir, o presidente da entidade, Gentil Zanovello Affonso, revisita os principais marcos dessa história, avalia os desafios atuais – como o ambiente regulatório, a concorrência e a transição energética – e aponta as perspectivas que devem orientar o setor nos próximos anos. Confira:

Gentil Zanovello Affonso: Foram muitos momentos de turbulência e de enfrentamento de situações que surgiram ao longo da história do sindicato, além de mudanças importantes no contexto regulatório e na maneira como o mercado se organiza.

Ao longo dos anos, também observamos mudanças no perfil do passageiro, e isso impacta diretamente a forma como as empresas se posicionam no mercado.

O que considero mais importante, entretanto, é que, apesar de todas essas mudanças e desafios, o sindicato conseguiu se manter unido. O SETPESP manteve um grupo de empresas que, mesmo com mudanças de gestão, continuaram apoiando a entidade e buscando um entendimento entre si, para que o setor pudesse caminhar da melhor forma.

GZA: O transporte rodoviário de passageiros não evoluiu sozinho nesses 85 anos. Houve também uma grande evolução da infraestrutura. No início, boa parte da malha rodoviária ainda era de terra. Depois veio o asfaltamento das rodovias, as duplicações e a criação de novas estradas.

O setor foi se adaptando a essas mudanças. Também houve transformação no comportamento do cliente: hoje, o passageiro é mais exigente e espera um tratamento diferenciado.

As empresas foram respondendo a essas demandas. Temos um nível de serviço no Estado de São Paulo que está entre os melhores do mundo, com uma oferta que se compara aos sistemas mais avançados do mundo.

GZA: O sindicato tem um papel importante de representação institucional junto ao governo. Ele é a voz do setor diante do poder público, e isso é fundamental. Mas, além disso, também é um espaço de debate entre as empresas.

Existe, então, essa dupla função: representar o setor perante o governo e, ao mesmo tempo, oferecer um ambiente para que as empresas conversem, discutam e alinhem posições. Essa interação entre governo e iniciativa privada é essencial.

Sobre os desafios atuais

GZA: Atualmente, um dos nossos grandes desafios é a concorrência dos aplicativos de carona, que são difíceis de combater, porque os carros estão diluídos no próprio trânsito, entre os veículos de passeio, e isso dificulta a fiscalização.

Muitos passageiros acabam aceitando esse tipo de serviço por ser uma novidade ou por considerarem uma alternativa interessante. Diferentemente do transporte coletivo, em que o ônibus é facilmente identificado, nesses casos é mais difícil verificar se existe atividade irregular.

Quando isso acontece de forma contínua, a demanda do sistema regular diminui, a oferta de serviços tende a cair e cria-se um ciclo negativo para o setor.

GZA: O setor vive hoje um momento de expectativa em relação às decisões do governo para o serviço semiurbano e o rodoviário.

O transporte rodoviário é um serviço essencial e regulado, e por isso dependemos da atuação do Estado na organização desse sistema.

O diálogo com o governo tem ocorrido, especialmente por meio da ARTESP, a agência reguladora. Mas acreditamos que o setor pode contribuir ainda mais, trazendo avaliações sobre os riscos de eventuais mudanças regulatórias e apresentando alternativas que atendam melhor às necessidades da sociedade e dos municípios.

GZA: Nos últimos anos, tivemos uma grande evolução em tecnologia embarcada, principalmente quando falamos sobre a área de segurança.

Hoje os veículos contam com sistemas de telemetria e câmeras que permitem um controle mais preciso da operação. Quando o motorista sabe que é monitorado, ele tende a ser mais cuidadoso e adotar práticas ainda mais seguras.

Com relação à inteligência artificial, acredito que deve provocar mudanças na forma como nos relacionamos com o cliente. Com o uso desse tipo de ferramenta, será possível compreender melhor as necessidades do passageiro – em termos de horários, escolha de poltronas e faixa de preço -, além de oferecer serviços mais alinhados às suas expectativas.

A tecnologia, sem dúvida, também transformou os hábitos de consumo. Hoje o cliente tem diversas opções e muitas vezes concorremos não apenas com outros modais, mas com a própria decisão de viajar ou não.

Sustentabilidade e transição energética

GZA: Existe um ponto que muitas vezes é pouco comentado: a mudança tecnológica que ocorreu a partir de 1º de janeiro de 2024, quando os motores passaram a adotar o padrão ambiental Euro 6.

Isso elevou o custo dos veículos, mas também trouxe uma melhora significativa do ponto de vista ambiental, tanto para ônibus quanto para caminhões.

Além disso, o SETPESP apresentou ao governo uma proposta para descarbonizar o sistema de forma mais ampla por meio do uso de biometano. O interior de São Paulo é um grande produtor de cana-de-açúcar, e a partir dela é possível produzir esse combustível para movimentar a frota de transporte público.

O biometano também pode ser gerado em aterros sanitários, o que ajuda a resolver duas questões ao mesmo tempo: o aproveitamento de resíduos e a substituição de combustíveis fósseis.

Outro exemplo de iniciativa sustentável é o Passagem Verde, uma iniciativa do SETPESP que permite aos passageiros compensar as emissões de carbono geradas na viagem de ônibus por meio do apoio a projetos de preservação ambiental. A ferramenta passou a ser oferecida na plataforma da ClickBus, a partir de uma parceria que ampliou o alcance do projeto. A proposta é estimular a conscientização sobre mobilidade sustentável e incentivar práticas que contribuam para a redução da pegada de carbono no transporte rodoviário de passageiros.

GZA: Já existem duas empresas associadas ao SETPESP operando veículos movidos a biometano (Santa Cruz e Viação Pássaro Marron).

A tecnologia tem evoluído bem, e já existem fabricantes oferecendo veículos com essa solução. O principal desafio ainda está relacionado às distâncias e à infraestrutura de abastecimento.

Acreditamos, no entanto, que isso pode ser superado com a criação de pontos de abastecimento ao longo das rodovias.

GZA:  Se olharmos para o diesel hoje, vemos uma grande oscilação de preços e incertezas no fornecimento.

O biometano tem uma vantagem importante: pode ser produzido no próprio país, o que garante maior segurança de abastecimento. Além disso, já existem propostas de fornecimento com preço fixado por períodos longos.

Os testes iniciais mostram que o desempenho dos veículos é compatível com o diesel. Portanto, trata-se de uma solução ambientalmente positiva e economicamente viável.

Também é importante destacar que esse projeto não depende de subsídio público ou de repasse de custos para a tarifa. O investimento seria realizado pelas próprias empresas, com participação de parceiros na produção e na distribuição do combustível.

Perspectivas para o futuro

GZA: Hoje é difícil projetar o futuro, diante da velocidade com que as mudanças acontecem. Vejo um cenário de aumento da concorrência, com o consumidor tendo cada vez mais opções. Surgem também novos modais, como o projeto de trem de passageiros no Estado de São Paulo, ampliando as alternativas para o usuário.

Acredito ainda que o setor passará por uma maior concentração de empresas. Já tivemos cerca de 140 operando no Estado; atualmente são pouco mais de 80, e a tendência, na minha opinião, é que esse número continue a diminuir. Ter escala será cada vez mais essencial para manter a competitividade.

Espero, também, que o futuro traga maior segurança jurídica, com um sistema regulatório que permita continuar investindo, gerando empregos e promovendo desenvolvimento em todo o Estado.

GZA: O principal papel do SETPESP é manter a interlocução com o Estado. Como defendemos um setor regulado, essa relação com o poder público é fundamental.

Além disso, o sindicato tem o papel de ajudar as empresas a se prepararem para esse novo cenário, seja por meio de treinamentos ou pela busca de soluções que ajudem o setor a se adaptar às mudanças.

Também podemos contribuir com propostas que auxiliem o Estado na fiscalização e na gestão do sistema.

GZA: Todos nós que atuamos nesse setor – sejam empresários, funcionários ou prestadores de serviço – exercemos uma atividade essencial para a economia e para a sociedade.

Nem sempre a importância do nosso trabalho é plenamente percebida, mas basta que o transporte público seja interrompido para que a sociedade compreenda o impacto que isso causa na vida das pessoas. É um serviço essencial, e cabe a nós garantir que continue sendo oferecido da melhor forma possível, com o reconhecimento do Estado, valorizando todas as qualidades do setor e sua disposição para contribuir com o desenvolvimento de São Paulo.

Quero deixar uma mensagem de esperança para todos: continuaremos desempenhando esse trabalho. O setor segue investindo, modernizando suas estruturas e melhorando a qualidade do serviço. Isso nos faz acreditar que, no futuro, teremos condições ainda melhores de operação do que as atuais.

Um futuro inovador:

o biometano e a nova agenda da mobilidade

O futuro do transporte rodoviário de passageiros está cada vez mais ligado à adoção de soluções que conciliem viabilidade econômica e responsabilidade ambiental. Nesse cenário, o biometano surge como uma alternativa estratégica, com potencial para transformar a matriz energética do setor sem comprometer a operação das empresas ou o custo para o usuário, consolidando-se como uma das principais apostas do SETPESP e do setor para os próximos anos.

Produzido a partir de fontes renováveis, como resíduos orgânicos provenientes da cadeia da cana-de-açúcar – amplamente presente no interior paulista -, o biometano representa uma oportunidade concreta de reduzir emissões e, ao mesmo tempo, fortalecer uma cadeia produtiva nacional. Trata-se de uma solução que alia ganhos ambientais à segurança no abastecimento, garantindo a utilização de recursos disponíveis no Brasil.

A adoção desse combustível já começa a se tornar realidade, com empresas do setor operando veículos movidos a biometano e fabricantes investindo no desenvolvimento dessa tecnologia (veja a entrevista com o presidente do SETPESP, Gentil Zanovello Affonso, para saber mais).

Esse movimento ocorre em paralelo a outras iniciativas voltadas à descarbonização, como a adoção de motores com padrões ambientais mais rigorosos como a Euro 6, norma que estabelece limites mais baixos para a emissão de poluentes, e o incentivo à compensação de emissões (clique aqui e conheça o projeto Passagem Verde).

Essas ações reforçam o compromisso do setor com uma mobilidade mais limpa e alinhada às exigências ambientais contemporâneas.

Olhando para o futuro, o transporte rodoviário de passageiros se prepara para um novo ciclo de transformação, no qual inovação, sustentabilidade e eficiência caminham lado a lado. Nesse contexto, o SETPESP se posiciona como um agente ativo na construção de soluções que conectem desenvolvimento econômico, responsabilidade ambiental e qualidade no serviço prestado à população.

Nossos Projetos

Busão Legal é uma campanha institucional promovida por empresas regulares do transporte rodoviário de passageiros representadas pelo SETPESP, que tem o objetivo de conscientizar a população sobre a importância de viajar com serviços legalizados, seguros e que operam em conformidade com a legislação vigente.

Passagem Verde é um projeto idealizado pelo SETPESP para permitir que passageiros compensem as emissões de carbono geradas nas viagens rodoviárias por meio da aquisição de cotas ambientais destinadas ao plantio de árvores.

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